A distância também aproxima: O lugar onde eu vivo está dentro de mim
- Educonexão Fund Séries Finais

- 8 de mar. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de mar. de 2022
Em face das adversidades vividas pelo mundo inteiro, em um ano marcado pelos desafios de manter o vínculo entre a escola e a família no contexto de pandemia, participar da Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP) na modalidade remota parecia um sonho muito distante da realidade. Mesmo estando ciente da dificuldade imposta aos alunos pela distância, sentia que não deveríamos deixar de tentar, ofertando a oportunidade de acrescentar experiências fundamentais a eles. No entanto, trazer essa provocação para que eles se dispusessem a participar, orientando-os através das redes sociais, trazia uma série de receios. Escolhemos o tema “O lugar onde vivo” para familiarizar e particularizar as ações com foco em algo que eles percebessem a relevância, mesmo sem sair de casa, refletindo como cidadãos críticos. Assim como também ficou nítido para nós que o trabalho em equipe é o melhor caminho para alcançar os objetivos, partindo de uma base construída em conjunto por toda equipe. Refletimos os últimos acontecimentos da cidade de Catu, apreciando fotos e notícias locais em paralelo aos mundiais, também sobre igualdade de direitos entre homens e mulheres. A maior parte deles desconheciam os fatos mostrados nas apostilas. Conheceram mais sobre o gênero crônica e suas características, leram textos variados e foram aos poucos percebendo que o cotidiano traz muitas histórias que podem ser contadas de formas diferentes.
Interagimos pelo WhatsApp (plataforma que eles já utilizam no dia a dia), na troca de informações, ideias e saberes. Foram estimulados a pensar sobre a temática “O lugar onde eu vivo...” e refletirem sobre conteúdos estilísticos, linguísticos, discursivos, relevantes ao momento de produção, reescrita e revisão dos textos, de maneira contextual, utilizando textos, imagens, vídeos com revisões, dicas e exposições através de áudios para melhor esclarecer todas as possíveis dúvidas que foram surgindo. Utilizei também as pílulas pedagógicas, “A ocasião faz o escritor”, do Telegram, que considero algo fundamental nesse processo de construção e reconstrução de interação com alunos. Penso que essa ferramenta poderia ter uma modalidade específica para uso do aluno, pois serviria de suporte para que eles consultassem de maneira autônoma e buscassem sanar as dificuldades por outro meio, que não fosse apenas através do professor. Eles muitas vezes me ajudavam em como utilizar certos recursos no celular que eu desconhecia, de modo admirável, dominam as novas tecnologias e redes muito melhor do que nós, uma geração realmente preparada para o avanço.
Foram duas etapas de oficinas, sendo a primeira de produção e a segunda de reescrita e revisão da primeira. Tive gratas surpresas nas produções dos alunos! Até mesmo aqueles que não conseguiram escrever uma crônica mostraram a poesia e a vontade de expor seus sentimentos em textos que fugiam do gênero pedido, mas estavam repletos do querer acertar e o poder cumprir uma tarefa. Uma oficina em especial atraiu mais a minha atenção nesses dois ciclos, que foi a intitulada “Esporte em debate...”. Nela trouxemos uma matéria do portal UOL sobre a jogadora Marta, considerada a maior artilheira da história das Copas do Mundo, num debate sobre o lugar da mulher, machismo e igualdade de direitos. Os alunos se posicionaram de maneira acalorada e firme, expondo o ponto de vista sem receios, de maneira surpreendentemente consciente sobre o preconceito e a posição que as mulheres têm ocupado no esporte e outras profissões. Alguns que nunca ou raramente participavam das discussões anteriores, deixaram sua colaboração de maneira espontânea, tanto que extrapolamos o tempo previsto para tal atividade.
Trazer variadas possibilidades de leitura, intertextualidade e conhecimento de mundo para os sujeitos, no ensino presencial ou distante, é tão importante quanto oferecer-lhes direitos cidadãos. A leitura, interpretação, compreensão e produção textual, seja ela oral ou escrita, possibilita com que nós possamos ser protagonistas da mudança que queremos que aconteça, não se limitando apenas ao que o livro didático oferta aos educandos ou ao que a mídia divulga. Trabalhar a OLP de maneira remota trouxe-me a concretização da autonomia dos alunos que buscam e agem na consolidação de um ensino-aprendizado voltado para o aluno agente e não passivo. O que no início parecia ser algo impossível de acontecer, tornou-se imaginável e concreto com essa experiência!
ÁLBUM DA TURMA
O lugar onde eu vivo está dentro de mim!

Estudantes da turma do 9º Ano da Escola Municipal Gilberto Alves de Araújo

Ionara França Conceição de Oliveira, Letras (UEFS)
Especialista em Metodologia de Ensino
de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira (UNIASSELVI),
Professora de Língua Portuguesa da Escola Municipal Gilberto Alves de Araújo.






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