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Devir entrelaçando linguagens

  • Foto do escritor: Educonexão Fund Séries Finais
    Educonexão Fund Séries Finais
  • 7 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Evanildes Teixeira da Silva

A noção de devir desenvolvido por Deleuze & Guattari, embora não seja simples, traduz o ato de mudar. Mas essa mudança não é um movimento estático, mas sim contínuo. As coisas que eram realizadas daquela maneira deixam de ser. Isso porque a lógica do sentido também modifica. Nesta acepção, as práticas cotidianas passam a ser vivenciadas de outro jeito porque algo de fora provocou essa travessia. O ensino remoto no contexto da pandemia forçou uma mudança na educação. Com isso, conceitos como a interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, estudados desde os anos de 1960 e 1970, voltaram com mais força gritando para a sociedade que o tempo presente requer outro formato educacional – um devir educacional revolucionário. Um outro fazer pedagógico que supere a abordagem disciplinar, mercadológica, excludente e negacionista. Na tentativa de romper com práticas que não condizem com o novo tempo, a rede municipal de educação de Catu criou as possibilidades de uma educação menos disciplinar e mais interdisciplinar. Esse projeto sugere o encontro. Mas que encontro é este? É o docente encontrando-se consigo mesmo. É o questionamento do signo que consumimos. É a abertura para enxergar o outro. É assumir-se como diferente. É saber que temos dores e sabores diferentes. É admitir que não sabemos tudo. Assim, tivemos o entrelaçamento da área de linguagens entre Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Arte no ano letivo de 2021. Não é simples criar novas subjetividades e seria ingênuo pensar desta forma. No primeiro trimestre, o esforço para desaprender o que imaginávamos saber foi a melhor lição que tiramos. A insistência da subequipe de linguagens para a produção de uma atividade prática em cada atividade interdisciplinar conseguiu, de alguma forma, provocar encontros e desencontros. Nesse sentido, provamos a dor e a delícia da mudança, parafraseando Caetano Veloso, o que nos mostrou que a educação é um devir e somos todos aprendizes. A educação traz a vida para o centro, por isso que a atividade experienciar foi bem acolhida pelos estudantes. Embora tenhamos tido limitações em relação à metodologia no ensino dos objetos de conhecimento, aquilo que foi aprendido teve sentido para a existência humana. É este o real propósito da construção de um trabalho interdisciplinar. Esvaziar o conteudismo, as infinitas terminologias, a descontextualização dos saberes e planejar e executar ações com base nos estudantes com vista a desenvolver as habilidades que eles precisam para solucionar os seus problemas e da sua comunidade. Esperamos que o raio de ação deste projeto de mudança, no presente vindouro, possa ser ampliado para perspectivas transdisciplinares. Esse olhar sobre a vida, sobre o necessário para superar as dificuldades e fazer brotar caminhos para construir um conhecimento que concilia a teoria e a prática, o conhecido e o novo, o cotidiano no chão da escola e o cotidiano em casa, na rua, no bairro, a constância desse movimento permanente de mudança e transformação, de incompletude e ampliação, abrindo perspectivas variadas e enriquecidas, é desse fazer e desse devir que brota a semente de um amanhã mais humano e carregado de sonhos palpáveis e realidades criativas. Sintam-se convidados para conhecer os (des)caminhos trilhados pelos docentes e discentes de linguagens e percebam por meio dos relatos dos professores, fotos e vídeos dos discentes a importância de não parar este movimento por uma ação educativa integrada, personalizada e inclusiva que seja suporte para as minorias na luta por uma sociedade democrática, ética, com justiça social e livre de modos operantes não libertários. Alguém me disse que quando a gente quer mudar, algo dá errado porque estamos aprendendo. Então, resta-nos a opção de avaliar, corrigir o erro e continuar mudando. Se precisar, trace uma nova rota. Borá lá!

Evanildes Teixeira da Silva, Letras (UNEB), Mestra em Crítica Cultural (Pós-Crítica/UNEB),Especialista em Ensino de Filosofia no Ensino Médio (UFBA), Articuladora de Língua Portuguesa (SMEC).


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