Experiências com a leitura e a escrita poética na sala de aula no contexto da pandemia
- Educonexão Fund Séries Finais

- 8 de mar. de 2022
- 3 min de leitura

Reconhecemos que os jovens se engajam todos os dias em diversas práticas de letramento e estas os constituem enquanto sujeitos. Não há como superar os desafios que envolvem as práticas de leitura e escrita na escola sem que haja uma aproximação com a realidade experienciada pelos nossos estudantes e sem planejar atividades que de fato sejam significativas para eles.
Considerando que, no ano passado, as atividades voltadas para os alunos da rede municipal de Catu deveriam ser elaboradas de forma interdisciplinar, após uma conversa com os colegas das diversas áreas de conhecimento na escola em que leciono, optamos por construir um trabalho que dialogasse com as questões étnico-raciais.
Mesmo diante das demandas do contexto pandêmico e especificidades de cada um dos componentes, conseguimos realizar a proposta através de adequações e ajustes em nosso planejamento, bem como participação ativa dos estudantes que haviam retornado no sistema presencial de ensino.
Destaco brevemente neste espaço o projeto de leitura e escrita construído com as minhas turmas dos 7º anos e 9º ano com base na temática: “Consciência Negra”.
Para realização do trabalho, inicialmente, os estudantes foram consultados sobre o gênero que gostariam de estudar e a maioria deles escolheu o gênero poemas. Em seguida, foi feita uma seleção de poemas para serem lidos e analisados em sala. As rodas de conversas foram extremamente importantes para ampliação da compreensão do tema, bem como para construção de análises e produção dos textos.
Durante a aplicação do projeto, surgiram alguns desafios. Dentre eles, destaco o fato da turma do 9ºM1 não ter abraçado a atividade em sua totalidade. Para superar tal situação, contando com o apoio dos colegas da área de Artes, foram utilizadas as habilidades trabalhadas nesta disciplina para a confecção de um painel com a representação da mulher negra na literatura e contemporaneidade.
Estes foram os painéis construídos pelos estudantes do 9⁰M1. Eles trouxeram a representação da "Negra Fulô" nos poemas de Jorge de Lima, Oliveira Silveira e Haroldo de Campos, bem como pensaram em representações das Fulôs no tempo presente.

Por outro lado, as turmas dos 7º anos acolheram muito bem a proposta e decidimos construir acrósticos que traduzissem o olhar deles sobre o tema em estudo, assim como, resgatasse os aspectos da História e Cultura Afro-brasileira.
No que se refere ao alinhamento do planejamento de atividades, cabe ressaltar que o tema escolhido para o projeto foi incorporado também ao Caderno de Atividades dos estudantes para que neles pudessem ser realizados a ampliação do processo de compreensão e de produção textual. Assim, os acrósticos produzidos pelos discentes a partir de nomes como resistência negra e outros vocábulos deste campo lexical, expressaram a existência de uma escrita poética autoral, construída de forma coletiva, viva e interventiva por uma sociedade sem racismo e sem desigualdades sociais.
Olho para minha história
Reconheço meu passado
Grandes heróis e heroínas tivemos
Um momento para ser lembrado
Liberdade ainda queremos
Hora de lutarmos
O preconceito só acabará se nós não o aceitarmos. (Yasmin Sales)
Levar a história para outras gerações
Unir forças contra algumas questões
Tempo de respeitar a todos
Aceitar as diferenças que existem nos outros. (Lucas Pereira)

Como se pode observar, o resultado desta prática foi encantador para todos e conferiu visibilidade e voz aos nossos estudantes. Esperamos ampliar o trabalho com a leitura literária e outras artes em 2022 e buscar cada vez mais a escrita autoral dos estudantes. Por fim, penso que colhemos boas experiências interdisciplinares desse momento em que a educação precisou ser repensada em função do mundo pandêmico e que os aspectos que deram certo poderão ser mantidos e aperfeiçoados.
Jamile dos Santos Correia, Letras (UFBA),
Mestra em Letras (UFBA),
Especialista em Docência do Ensino Superior (FAVIC),
Professora de Língua Portuguesa da Escola Municipal Prof. Jorge Luís Ferreira Teixeira.












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