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Máscaras Identitárias

  • Foto do escritor: Educonexão Fund Séries Finais
    Educonexão Fund Séries Finais
  • 7 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de mar. de 2022



As máscaras aparecem na história da humanidade desde as épocas mais remotas. Há registros de pinturas rupestres com cenas representando caçadores mascarados com cabeças de animais e muitas dessas imagens mostram a dança ao redor da fogueira, com a percepção de um ritual mágico para influir no êxito da caça, como se a máscara fosse o elemento catalisador de forças misteriosas.

Na cultura africana, as máscaras representam a possibilidade de participar da multiplicidade da vida do universo, ou seja, é como se elas tivessem poder mágico que unem o homem à energia extra-humana, ao mundo sagrado.


Em algumas cidades brasileiras ainda se preserva a tradição do baile de máscaras durante o Carnaval. Mas a tradição das máscaras de Carnaval vem de outro lugar do mundo: os primeiros Carnavais aconteceram há muito tempo na Itália. Naquela época os moradores faziam festas para o deus Baco e o deus Saturno. Com o tempo, o Carnaval de Veneza foi se modificando e tendo como foco a diversão de sair pelas ruas de fantasias e máscaras. Atualmente, os personagens surgem de todos os cantos da cidade e passeiam por suas praças e ruas com naturalidade. Os mascarados e fantasiados se encontram e inventam danças e cenas teatrais.

As máscaras são também bastante usadas no teatro. No gênero teatral comédia-de-arte há uma tradição na confecção e no uso das máscaras. Mas sua origem é anterior: há muito tempo, na Grécia, havia um festival de teatro que durava seis dias. Os atores usavam máscaras, perucas, sapatos de salto altos e roupas acolchoadas que faziam com que eles parecessem uns gigantes. Já no Japão, as máscaras aparecem em dois tipos de teatro, o Nô e o Kabuki, interpretados apenas por homens usando máscaras para representar todos os papéis, inclusive os de mulheres.


As máscaras podem ser utilizadas para diversos fins, mas a essência é que, ao colocá-las nos transformamos em outro ser. É como se máscaras tivessem o poder de despir-se de uma personalidade e revestir-se de outra, como disse Bachelard (1986) “A MÁSCARA É ASSIM, UMA SÍNTESE INGÊNUA DE DOIS CONTRÁRIOS MUITO PRÓXIMOS: A DISSIMULAÇÃO E A SIMULAÇÃO (...)”.


Enfim, a máscara estava, está e estará presente em nossa história, sempre desenvolvendo um papel importantíssimo para a humanidade. A exemplo disso, não poderíamos deixar de falar das máscaras que estamos usando hoje, para a proteção contra a Covid-19. Isso prova o quanto as máscaras foram e continuam sendo importantes para os seres humanos, mesmo sendo em contextos tão diferentes, ela continuará sendo um elemento de muita importância nas diversas culturas e, por esses motivos também aqui citados, é comum vermos nas escolas propostas de aprendizagens e criação de máscaras.


Na Escola Municipal Desembargadora Maria Gabriela Sampaio Seixas, as máscaras foram pensadas a partir das habilidades de Linguagens, da interdisciplinaridade e do contexto artístico. Tudo isso lincados com o tema da escola “Estatuto da Igualdade Racial” e direcionados ao entendimento de nossas raízes ancestrais, a partir da compreensão da formação do povo brasileiro, ou seja, a partir da compreensão das misturas de etnias em que construiu o Brasil.


Nessa linha de compreensão, foi elaborado o caderno de atividade Interdisciplinar do III trimestre, o qual foi pensado e contextualizado com base na atividade EXPERIENCIAR INTERDISCIPLINAR de linguagens. Assim, foi proposta a criação das MÁSCARAS IDENTITÁRIAS, com o intuito de que o aluno se reconhecesse nessa identidade entre as misturas étnicas e trouxesse a sua própria percepção de sua identidade nas construções das máscaras. Para a sua criação, trabalhamos a partir de materiais recicláveis e de fácil acesso, até porque alguns alunos não estavam ainda de forma presencial no ambiente escolar, por isso a ideia de utilizar recursos que eles tivessem em casa, por causa do momento atípico que estamos vivenciando nos últimos dois anos.


As máscaras identitárias saem um pouco da ideia de só reproduzir máscaras africanas existentes e passam a ser pensadas no processo de CRIAÇÃO DO ALUNO, TORNANDO-O PROTAGONISTA ARTÍSTICO DE SUA PRÓPRIA CRIAÇÃO, por representar suas características próprias nas máscaras como identidade, reconhecimento e pertencimento desse povo lindo e rico em essência como é o brasileiro. E o resultado pode ser apreciado na culminância do projeto escolar, em que tivemos expressões de características tão diversas e importantíssimas para a aprendizagem dos autores e compreensão dos que as vêem.


Essa proposta artística foi desenvolvida de forma interdisciplinar com os professores de linguagens, sendo uma experiência enriquecedora porque libera o pensamento criativo e fortalecer a construção idenitária do sujeito.



Abinoam da Cruz Pereira, Arte (UFBA),

Pós-graduação em Arte Educação (Facibe),

Professora de Arte das escolas municipais: Prof. Raimundo Mata,

Desª Maria Gabriela Sampaio Seixas e

Geminiana Souza Assunção Municipal.

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