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Olhar Inclusivo para os alunos com deficiência em Catu-BA.

  • Foto do escritor: Educonexão Fund Séries Finais
    Educonexão Fund Séries Finais
  • 7 de mar. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 13 de mar. de 2022


JEFFERSON SOUSA DE JESUS FILHO 7º ANO ESCOLA GILBERTO ALVES DE ARAÚJO



No limiar da História da Educação brasileira, observa-se que foram e são muitos os obstáculos que impõem o redesenhar de uma educação disposta ao rompimento da alienação, da barbárie, segregação e exclusão com vista na condução de um ensino que viabilize a proximidade dos alunos do contexto escola. Neste momento pandêmico não foi diferente, os profissionais que atuam na Educação Especial Inclusiva precisaram se reinventar para não permitir que houvesse um distanciamento, em sua totalidade, dos alunos com deficiência assistidos nas 15 salas de Recursos Multifuncionais das escolas da Rede Municipal de Ensino de Catu-BA.




Diante das incertezas apregoadas à educação, a Supervisão Escolar, Coordenação Geral da Educação Especial Inclusiva, Coordenação de Atendimento Educacional Especializado, Auxiliares

de disciplina e familiares, com o apoio da Gestão Escolar, com base no que assegura a Lei nº 9.394/96, Art. 59 e no Decreto de nº 9.611/2011, dispuseram-se a contribuir, mesmo diante das limitações que o campo tecnológico impôs, para a continuidade do desenvolvimento da aprendizagem dos 201 alunos com deficiência assistidos na Rede Municipal. Comumente, o uso dos recursos pessoais como celular, tablet, computador favoreceu a continuidade da proposta. A busca de possibilidades para fazer com que o processo não fosse abortado tinha como foco dar oportunidade aos alunos de aprender por meio de estratégias possíveis de elevar o seu conhecimento e não permitir que se distanciassem da escola.


O apoio das tecnologias foi crucial neste momento, sem isso não seria possível aproximar o aluno da escola, da interação com o professor, mas, muitos foram os desafios, alunos sem os meios para garantir este fim, a aprendizagem, pais sem condições de assistir os filhos por ausência dos recursos tecnológicos ou dificuldades de manuseio destes, porém, algo motivava o professor, saber que era possível recorrer a um caminho: as tecnologias. Rojo e Moura (2012) vão dizer que, quando o professor se apoia em tecnologias acessíveis aos alunos com deficiência, eles poderão produzir meios acessíveis e atrativos sobre diversos temas, é pertinente o uso de muitas linguagens, gráficos, animações, sons, textos, vídeos e outras mídias que, quando combinados, produzem mais significados do que a soma de cada parte isolada poderia significar separadamente, - caracterizando a chamada “multimodalidade” ou “multisemiose” dos textos contemporâneos.


Este momento de pandemia exigiu da escola e seus representantes o traçar contornos diferenciados tendo como elemento norteador um planejamento com enfoque em atividades diferenciadas, sem desqualificar o trabalho do professor nem enfraquecer o desenvolvimento sociocognitivo dos alunos com deficiência. Para alcançar o público especificado, destaca-se a efetivação de alguns pontos relevantes: atendimentos on-line no turno oposto de aula do aluno, interação nos grupos, elaboração e envio dos cadernos de atividades adaptadas às necessidades de cada aluno, articulação com os professores das salas regulares, visitas às escolas, compromisso da família no processo de ensino e aprendizagem, elaboração de relatórios e pareceres com o apoio dos profissionais de AEE e Auxiliares de disciplina.


Considera-se prazeroso olhar para um público que durante muitos anos não conseguia visibilidade socioeducacional e, que estando em 2021, momento difícil, transitório, saída de um contexto totalmente on-line para continuidade dos atendimentos no formato de rodízio, semipresencial, teve o respeito e assistência de profissionais qualificados, sensíveis e responsáveis com o seu fazer pedagógico.


Acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos com enfoque em atividades lúdicas por meio de músicas, jogos, contação de histórias, encenação teatral foi muito prazeroso. Era comum ouvir depoimentos de pais/responsáveis sobre os avanços que os alunos com deficiência estavam alcançando com o apoio de profissionais que começaram a dar vida e motivá-los, familiares e escolas a acreditarem que era possível reconhecê-los enquanto cidadãos de direitos e autônomos, independente de sua deficiência.


Para além dos pontos relevantes, foram perceptíveis também algumas limitações, dentre as quais se destacam a construção de atividades adaptadas para os estudantes com deficiência e 187 alunos com deficiência que ficaram sem assistência regular nas salas de recurso multifuncional. Era comum a observação de contextos didáticos nesta atividade distantes das suas necessidades. Considerando os registros nos relatórios, era preciso que os professores atentassem para elaboração dos enunciados, evitassem repetir duas ou mais vezes uma habilidade numa mesma atividade, e outras especificações que no momento não carecem de ser detalhadas. O olhar técnico-pedagógico neste momento esteve voltado ao exposto no inciso I do artigo 59 da LDB, citado no segundo parágrafo, a tentativa foi assistir os alunos com deficiência por meio de “currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades”.


Enfim, continuamos com o grande desafio para a educação catuense: redirecionar propostas realmente inclusivas para atender a sujeitos (deficientes mentais, crianças com limitações sensoriais ou neurológicas, e/ou dificuldades de interações sociais e comunicativas, etc.), quaisquer que sejam suas condições físicas, sociais, de saúde ou suas possibilidades relacionais nas escolas que acolhem estudantes ditos “normais”.


Vale destacar que esta diferença é que nos une enquanto escola, alunos, família e profissionais da educação catuense. Reitera-se, portanto, que o caminho para efetivação de uma educação inclusiva de qualidade está de fato no desejar mudanças para uma educação que perceba a todos enquanto cidadãos de direitos e que precisam ser vistos como iguais, porém com suas diferenças.







Miriam Laudicéa Leal Pereira, Pedagogia (FAC),

Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação (UNEB),

Especialista em Coordenação e Supervisão Escolar (FAVENI),

Especialista em Políticas Públicas em Educação (FACEI),

Formação em Psicanálise (CONSULCOOP),

Supervisora Escolar (SMEC).




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