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Plantar nossa negritude como uma bela árvore:

  • Foto do escritor: Educonexão Fund Séries Finais
    Educonexão Fund Séries Finais
  • 8 de mar. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 13 de mar. de 2022

Reflexões sobre a atividade desenvolvida na Semana de Consciência Negra na Escola Municipal Desembargadora Maria Gabriela Sampaio Seixas

Allan de Assunção Oliveira

Imagem 01 – Pátio da Escola Maria Gabriela (2021) Como todos sabemos, a partir do implemento da Lei 10.639/03 que estabelece o ensino sobre cultura e história afro-brasileiras com ênfase na luta da população negra e sua contribuição na construção da sociedade brasileira, a Escola Municipal Desembargadora Maria Gabriela Sampaio Seixas (imagem 01) representada pelo seu corpo docente, direção e funcionários, decide promover uma semana de atividades como mote a questão negra e aspectos culturais, científicos, políticos, religiosos e sociais.

Eu, Allan Oliveira, enquanto docente da disciplina de História, sugeri a realização de uma atividade que consistiu na exibição de um vídeo documentário no qual a atividade superveniente foi um debate sobre as ideias obtidas pelos discentes e, posteriormente os jovens realizariam uma produção escrita que poderia ser elaborada livremente em forma de prosa, poesia, letra de música, desenho ou qualquer outra que assim lhes conviesse.


Imagem 02 – Historiador Allan Oliveira com seus estudantes durante exibição do documentário (2021) Consciência Negra é aludida pelo e por nós, negros e negras e, o 20 de novembro data demarcada pelo Movimento Negro como celebração a luta da população negra, referencia-se na lembrança de uma figura simbólica de luta contra as mazelas da escravização. Lembra-nos Carneiro (2011):

O morto-vivo' levado para o imaginário popular por meio das versões oficialescas sobre a escravidão dá lugar ao escravo rebelde e libertário, que exige seu lugar na história e, ao fazê-lo, revela outra narrativa. É o primeiro herói popular do Brasil, encarnando, contra o mito da passividade do negro, a luta da dignidade humana contra toda forma de opressão (CARNEIRO, 2011, p.103).


Tratar desse tema assaz relevante traz um regozijo incomensurável, não somente como conteúdo pedagógico, mas como elemento decisivo para o reconhecimento racial mormente tratando-se de uma comunidade predominantemente negra e parda que sofre com as agruras da desigualdade racial. Precisa de toda forma compreender como o racismo irrompe contra a vida da população negra e pobre obstando nosso povo ao acesso à qualidade de vida e subjugando-nos às piores condições.

Por isso, uma atividade foi realizada numa terça feira, dia 14/12/2021, sendo importante frisar a ajuda da coordenadora Cristina Góes, que fraternalmente auxiliou-me com sua irrefutável competência e dedicação na escolha do documentário e na consecução da atividade. Posteriormente expusemos o documentário “Paulo Gallo: Mil Faces de um Homem Leal”, produzido pelo grupo Intercept Brasil, conforme a imagem 03, recurso disponibilizado no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=FN4SLdxYp3Y&t=2s&ab_channel=TheInterceptBrasil


Imagem 03 – Início do Documentário (2021) O documentário incide na história do jovem militante e ativista político integrante dos grupos Revolução Periférica e Entregadores Antifascistas, no qual o vídeo retrata sua prisão motivada por ter ateado fogo na estátua de Borba Gato, um bandeirante símbolo reverenciado na história do estado.


Imagem 04 – Paulo Gallo: punho cerrado erguido no ar (RESISTÊNCIA) Fonte: Fotografia de Scarlett Rocha. Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2021/08/stf-ativista-paulo-galo-solto/ O documentário é uma devassa na história brasileira. Moura (2014, p. 219) admoesta que, “o racismo brasileiro, como vemos, na sua estratégia e nas suas táticas, age sem demonstrar a sua rigidez, não aparece à luz, é ambíguo, meloso, pegajoso, mas altamente eficiente nos seus objetivos”. É necessário, urgente dizer que a veiculação de histórias como esta de Paulo Gallo e outros exemplos quase anônimos, repercutem como o racismo age discricionariamente na sociedade brasileira, alijando pessoas por causa da cor da pele e por sua condição social e origem.


Tratando essencialmente do filme, ele narra a vida tensa e permeada de percalços comum a quase todos os jovens brasileiros oriundos das periferias, despojados do acesso a bens e ou serviços elementares e, por conta disso são obrigados a abandonarem seus sonhos, seus desejos pessoais a optarem por trabalhar para “pôr o pão na mesa”.


Os jovens estudantes fitaram as imagens, as falas feitas e os problemas levantados no filme avidamente, os questionamentos propalados de forma ritmada comumente como fazem os rappers, elas chegavam aos ouvidos meneavam nas cabeças inquietas dos discentes.

A crítica à desigualdade de ordem racial e social é o mote do documentário. Segundo Fernandes (2017, p.32), “O novo negro, que se afirma como categoria social, e assusta o branco conformista, tradicionalista ou autoritário, não é um rebento do protesto negro, mas da luta pela vida e do êxito na competição interracial numa sociedade de classes multirracial”.


Por que abordar essas questões ainda causam estranhamento? Racismo, discriminação racial ainda são tratados como tabu? Há uma desigualdade no Brasil e esta evidentemente atinge a população negra, quais a propostas erigidas por Paulo Gallo para a suplantação dessas iniquidades?

Segundo Nkrumah (2016, p.32), “Só com abolição do capitalismo, do colonialismo e do neocolonialismo e com a instauração mundial do comunismo se poderão estabelecer as condições para a eliminação definitiva do problema racial”.


Imagem 05 – Alguns cartazes estudantis da escola Maria Gabriela contra o Racismo (2021) Desse modo é crível que nas sociedades competitivas, a presença do racismo é decisiva para determinar a segregação entre as pessoas, a cor da pele e outros elementos além do fator cromático, são utilizados para diferenciar as pessoas, hierarquizando-as e definindo valores de superioridade e inferioridade na população.

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06 – Alguns cartazes estudantis da escola Maria Gabriela contra o Racismo (2021) Paulo inocula uma frase que é peça chave de nossa discussão: “Tem vezes que a barriga ronca mais alto que nosso sonho”. Ao admitir essa máxima, ela em alguma medida ajuda-nos a encontrarmos caminhos para contrapor essa realidade penosa e, por meio do ensino aprendizagem, da produção de conhecimentos e reconhecimentos dos nossos saberes, a exemplo dos cartazes estudantis na Exposição Pedagógica 2021, conforme imagens 05 e 06, podemos encontrar caminhos para que nossos anseios não sejam atolados pela infame presença e ação do racismo.


Allan de Assunção Oliveira,

Especialista em Cultura Afro-Brasileira e Indígena

(ACEB - FETRAB).

Prof. das Escolas Mun. Des.ª Maria Gabriela Sampaio Seixas e Themístocles Cezar Goes.


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