Projeto africanidades: discute história, cultura e a formação da sociedade brasileira
- Educonexão Fund Séries Finais

- 8 de mar. de 2022
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de mar. de 2022

A Escola Municipal Dom Justino José de Santana, localizada na comunidade rural de Sitio Novo e a Escola Municipal Geminiana Souza Assunção, localizada na comunidade rural de Bela Flor, trabalharam o tema Africanidades durante o III Trimestre do ano 2021, em seus projetos didáticos.
O objetivo das Escolas foi, justamente, orientar os estudantes quanto à reflexão sobre a diversidade étnico-cultural do Brasil e, dessa forma, compreender que cada povo possui sua identidade própria presente nas crenças, costumes, história e organização social.
Outra perspectiva apontada nos projetos das duas Escolas foi possibilitar aos estudantes a percepção das contribuições da cultura africana no desenvolvimento da sociedade brasileira, levando-os a se perceberem como parte desse povo e, portanto, promover o respeito às diferenças de qualquer gênero, para a valorização do ser humano e da identidade cultural de todos os povos, para que dessa forma mudanças significativas na prática social sejam percebidas e sejam efetivadas.
O Projeto Africanidades justifica-se porque em meio à diversidade de valores e culturas em que estamos inseridos, faz-se necessário repensarmos nossas ações diante das atitudes de desrespeito com os afrodescendentes que formam a maioria da população brasileira, sendo historicamente discriminados e desrespeitados em suas raízes e manifestações. Assim sendo, percebe-se a necessidade de um trabalho constante desde as séries iniciais para a vida, proporcionando debates constantes, momentos de reflexão e valorização da cultura Africana, compreendendo sua importância para o diálogo e convivência harmônica com a diversidade.
Ou seja, o Projeto surgiu como necessidade de discutir e valorizar a cultura dos povos africanos, afro-brasileiros e indígenas, reconhecendo as suas contribuições nas diversas formas de manifestação cultural da sociedade brasileira, tomando como referência o mês de novembro que traz o dia 20/11 como dia Nacional da Consciência Negra. E, dessa forma, promover um resgate às nossas origens, procurando sensibilizar a comunidade escolar da influência e da importância que a cultura africana e indígena teve ao longo dos tempos em diversos setores de nossa sociedade.
O tema da Escola Geminiana Souza Assunção foi, especificamente, “Africanidades – Eu e minhas raízes”, enquanto a Escola Dom Justino trouxe como tema “O Brasil de todas as cores: trago na pele as marcas da minha história”. E como estratégias de ação para desenvolver os temas desses projetos, cada área de conhecimento buscou trabalhar em suas práticas de sala de aula e em suas atividades temáticas específicas que abordaram jogos e brincadeiras afro-brasileiras; discutir consciência, cor e cabelos crespos; gênero e classe – desafios da mulher negra; racismo; empoderamento negro (a); protagonismo da juventude negra etc.
De acordo com Washington Flávio Carvalho1, professor de Geografia do município, nas Escolas Dom Justino José de Santana e Gilberto Alves de Araújo, em 2021:

O Projeto Africanidades, desenvolvido na Escola Municipal Dom Justino, foi um momento ímpar onde pudemos trazer aos nossos educandos a possibilidade de revisitar um tanto da nossa História e, assim, reconhecer a identidade preta que há em cada um de nós. Trazer a Cultura preta para sala de aula é de suma relevância pois a mesmo reverbera positivamente na sociedade. É mister conhecer e reconhecer a si mesmo como um sujeito de descendência étnica africana, desconstruindo assim, para alguns, a ideia eurocêntrica da nacionalidade brasileira. Somos mais África. Somos mais pretos. A cultura, a religião, a culinária deste continente estão presentes e são presentes para nossas vidas. De modo igual, mister é falar sobre todos os percalços ora vivenciados por nossos irmãos pretos e nossas irmãs pretas. O preconceito incolor, tantas vezes disfarçado de políticas públicas, políticas sociais, institucionalizados numa pseudodemocracia racial, precisa ser desmistificado o quanto antes nas salas de aulas. O Projeto Africanidades teve este propósito e assim o foi, desde a sua nascença, discussões em sala de aula, até a sua culminância geral. A Escola Dom Justino é digna de aplausos pela sua iniciativa. (Washington Flávio Carvalho)
Para conhecer um pouco mais o nosso projeto, acesse no QR Code seguinte algumas atividades relevantes do 8º e 9º ano da escola Dom Justino José de Santana.

Anete dos Santos, Pedagogia (UNEB),
Pós-graduanda em Psicopedagogia (FAEL),
Coordenadora das escolas Dom Justino José de Santana e
Geminiana de Souza Assunção.
Silvana Maciel Pires, Geografia (UNEB),
Mestre em Planejamento Territorial (UEFS),
Articuladora de Geografia.






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