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Uma árvore poética na aridez do terreno interdisciplinar

  • Foto do escritor: Educonexão Fund Séries Finais
    Educonexão Fund Séries Finais
  • 8 de mar. de 2022
  • 3 min de leitura

Como fazer brotar folhas viçosas na árvore de um terreno árido como o campo interdisciplinar? A resposta para esta pergunta está na palavra que deve regar qualquer prática pedagógica: diálogo.

Foi assim que brotou a Árvore poética que ornamentou o jardim da I Exposição Pedagógica da Escola Municipal Geminiana Souza Assunção, produzida pelas turmas do 6º e 7º anos.

A proposta da árvore surgiu a partir do diálogo entre nós docentes da área de linguagens – Abinoam, Ana Cláudia, Andréa e Elisângela – e a coordenadora Anete em uma de nossas Atividades Complementares (ACs). O objetivo era dar visibilidade à produção dos estudantes, de modo que não se tornasse algo que se encerra na correção do professor. Isto é, cada estudante, sob orientação interdisciplinar, deveria regar a árvore poética, fazendo brotar nela uma folha enriquecida com um poema visual em língua portuguesa e em língua inglesa.

Para que isso fosse possível, elaboramos o 6º Caderno com as devidas orientações, tendo em vista que parte dos estudantes ainda estariam de forma remota. Nos cadernos anteriores, já havíamos trabalhado a leitura e produção de poemas. Sendo assim, dedicamo-nos à leitura, ao reconhecimento, à análise e à produção de poema visual. Além disso, colocamos no 6º Caderno o passo-a-passo para a construção desse gênero textual, com o exemplo ao lado de cada dica para que pudesse ficar o mais evidente possível aos estudantes no momento de produzir.

Com a produção da primeira versão do poema em mãos, era hora de “Experienciar”, criando e projetando o que foi aprendido. Para isso, a professora Abinoam reforçou que “a arte, de forma simples e criativa, consegue nos fazer olhar para dentro de nós mesmos e enxergarmos quem somos e fazermos uma leitura profunda do nosso EU”. Uma dessas formas de arte é a poesia visual que, conforme ficou explícito no próprio Caderno dos estudantes, “consiste numa junção entre a literatura (o texto do poema) com as artes visuais (a imagem criada através das palavras). Era a árvore da interdisciplinaridade ganhando vida ao ser regada por cada jardineiro-poeta.

Esse trabalho interdisciplinar ganhou ainda mais força com o retorno das aulas presenciais, através do qual, tivemos a oportunidade de, em equipe, orientar os estudantes na confecção da folha que seria posta na Árvore Poética. As professoras de língua portuguesa orientando na organização do texto poético-verbal, a professora de inglês, na tradução/versão do texto e a professora de arte, passando as orientações para que os traçados saíssem os mais perfeitos possíveis.

Após a conclusão do poema visual na folha recebida, chegou o momento de ornamentar a árvore. Cada estudante presente na escola teve a oportunidade de prender à arvore sua folha. Aqueles que fizeram em casa e enviaram para a escola não puderam ter o mesmo gostinho de participar da ornamentação, mas tiveram seus trabalhos expostos da mesma forma. Assim, desfrutamos a chance de perceber o objetivo sendo alcançado, pois foi possível ver os estudantes das outras turmas fazendo a leitura dos poemas visuais construídos pelos estudantes do 6º e do 7º anos. Foi uma produção que ganhou novo leitores, ultrapassando a leitura geralmente única e exclusiva do professor em sala de aula.

Perceber o crescimento da árvore não apenas poética, mas interdisciplinar, foi um momento muito enriquecedor para alunos e professores envolvidos nesse jardim dialógico. A alegria é estampada no rosto de todas as envolvidas na irrigação deste terreno que, como foi dito a princípio, é tão árido, mas que, com as águas da interação, do diálogo e da parceria, pôde brotar não apenas folhas, mas, com certeza, muitos frutos poéticos dos quais sairão sementes que gerarão novas árvores.






Elisângela de Jesus da Silva, Letras (UNEB),

Mestra em Letras (UFBA),

Professora de Língua Portuguesa das escolas municipais:

Geminiana Souza Assunção,

Themístocles César Góes e Prof. Raimundo Mata.


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